Receba Notícias da CVRTejo.

Indique o seu mail:

Enviar

Pesquisa:

Enviar

SivTejo

Utilizador:

Password:
Entrar Activar conta

 

Início / Região

História da Região

A REGIÃO VITIVINÍCOLA DO TEJO

Localizada no coração de Portugal a Região Vitivinícola do Tejo tem, desde a Idade Média, sido reconhecida como uma das principais regiões vitivinícolas de Portugal.

O principal acidente orográfico existente no Ribatejo é a Serra de Aires e Candeeiros, delimitando o que podemos chamar de Alto e Baixo Ribatejo e em termos hidrográficos o Rio Tejo, pela sua dimensão e pela sua regular irregularidade (cheias) continua a condicionar as actividades agrícolas.

 

A Região apresenta clima moderado, com temperaturas médias compreendidas entre os 15,50 C e 16,50 C, o valor da insolação situa-se cerca das 2800 horas/ano e a média anual de precipitação é de 750 mm, sendo um pouco mais elevada a Norte da Região, nomeadamente na zona de Tomar e um pouco menos elevada a Sul da Região, nomeadamente na zona de Coruche.

 

As plantações da vinha são alinhadas. O sistema de condução tradicional é a vinha baixa, embora a introdução da vindima mecânica tenha vindo a introduzir alterações, nomeadamente na altura da vinha.

Desenvolvendo-se nas duas margens do Rio Tejo, de quem herdou o nome, a nossa região vitivinícola ocupa uma área de 19 000 hectares que representam cerca de 8% do total nacional e é responsável por uma produção de cerca de 600 mil hectolitros.  Destes, são certificados cerca de 120 mil hectolitros, dos quais 90% são IGP Tejo, (Indicação Geográfica Protegida), o vulgarmente chamado Vinho Regional Tejo e 10% são vinhos DOP (Denominação de Origem Protegida), Vinhos DOdoTEJO.

Existem actualmente cerca de 80 Agentes Económicos inscritos na CVR do Tejo.

 

Por estes números se compreende a importância económica e social que a cultura da vinha desempenha no Ribatejo.

 

OS TERROIRS

 

Existem 3 zonas vitivinícolas distintas conhecidas como "O CAMPO", "O BAIRRO" e "A CHARNECA".

 

O CAMPO, com as suas extensas planícies, adjacente ao Rio Tejo, conhecido também como a LEZÍRIA DO TEJO, sujeita a inundações periódicas, que se causam alguns transtornos, são também responsáveis pelos elevados índices de fertilidade que aqueles solos de aluvião possuem, é, por excelência a zona dos vinhos brancos, onde predominam as castas Fernão Pires, Arinto e Verdelho.

 

O BAIRRO, situado entre o Vale do Tejo e os contrafortes dos maciços de Porto de Mós, Candeeiros e Montejunto, com solos argilo-calcários em ondulados suaves, é a zona ideal para as castas tintas, nomeadamente Touriga Nacional, Trincadeira e Cabernet Sauvignon.

 

A CHARNECA, localizada a sul do CAMPO, na margem esquerda do Rio Tejo, com solos arenosos e medianamente férteis, se por um lado apresenta rendimentos abaixo da média da Região, por outro lado induz a um afinamento, quer de vinhos brancos, quer de vinhos tintos.

 

O PASSADO

A defesa da qualidade dos vinhos nacionais, impôs a criação de zonas vitivinícolas, cuja tradição e categoria, por todos reconhecida, não só não é recente, como inclusivé, as referências históricas são bastante remotas. 

A existência de vinha no Ribatejo é muito anterior à nacionalidade, conforme atestam os amarelados manuscritos em papiro, do tempo dos Romanos que terão sido os principais introdutores da cultura da vinha nesta Região.

Já no Foral de D. Afonso Henriques à cidade de Santarém (1170) se determinava "que os peões devem dar a oitava de pão, vinho e linho". No testamento de D. Sancho II pode ler-se: "Deixo ao Mosteiro de S. Jorge, parte das minhas vacas e ovelhas e metade das minhas vinhas de Alvisquer, termo de Santarém, e a outra metade ao meu chanceler Duarando Forjas e a minha adega de Marvila com todas as suas cubas".

De notar que Alvisquer é o actual campo do Rocio, na margem direita do Tejo, junto à Ribeira de Santarém.

Do tempo do Rei D. Fernando (1367 - 1383) há documentos que falam também da existência de vinha e da produção do vinho do Ribatejo: "Flandres, Alemanha, Castela, Leão e a Galiza se proviam de azeite e vinho de Santarém". Também Fernão Lopes, referindo-se aos produtos exportados naquela mesma época, cita "as grandes carregações de vinho". E diz mais: "que a exportação média anual chegou a carregar 400 a 500 navios, e que num ano atingiu 12 000 tonéis de vinho".

Porém, o apogeu do comércio destes vinhos, foi sobretudo no século XIII, no fim da sua primeira metade, que só para Inglaterra, chegou a atingir a cifra de quase 30 000 pipas.

 

Mais recentemente, em finais do século passado, técnicos ilustres como Ferreira Lapa e Cincinnato da Costa, políticos como António Augusto de Aguiar e Almeida Garret referem em diversas circunstâncias e ocasiões as reais qualidades das vinhas e dos vinhos do Tejo.

Apesar dessas, notoriamente reconhecidas, qualidades e potencialidades, a nível interno e em concursos e exposições no estrangeiro, e de, em 1907 e 1908 se perspectivar a criação de zonas especiais de produção, Regiões Demarcadas, em diversas localidades Ribatejanas, tal não veio a verificar-se.

Outras Regiões do País obtiveram o direito à Demarcação, como os Vinhos Verdes, na década de 20 e a Bairrada na década de 70, mas o Ribatejo, por razões diversas, a que não são alheias a estrutura de produção, a vocação para a produção de grandes quantidades a granel, em detrimento da qualidade e do vinho engarrafado, e a ausência de uma vontade organizada para tirar proveito, por exemplo, do facto de a determinada altura, estar constituído um Núcleo Central de Demarcação de novas Regiões, onde tinham assento ilustres Ribatejanos, só em 1989, na sequência de infindáveis reuniões, e depois da publicação do Dec. - Lei n.° 281189 de 23 de Agosto, passaram a existir as seis indicações de Proveniência do Ribatejo (ALMEIRIM, CARTAXO, CHAMUSCA, CORUCHE, SANTARÉM E TOMAR).

Não tendo sido possível, por variadissimas razões, a constituição de uma única Comissão Vitivinícola Regional no Ribateio, surgiram assim, a CVR do Cartaxo, a CVR de Almeirim e Coruche e a CVR de Chamusca, Santarém e Tomar.

Destas três, apenas a CVR do Cartaxo teve actividade regular, a partir do ano de 1991, com os órgãos dirigentes devidamente constituídos, Conselho Geral e Comissão Executiva, e quadro técnico e administrativo próprios. As CVRs de Almeirim e Coruche, apesar de ter também constituídos os órgãos directivos, o Conselho Geral e a Comissão Executiva, as funções de certificação e controlo, eram exercidas pelo Instituto da Vinha e do Vinho, que também assegurava essas funções nas zonas de Chamusca, Santarém e Tomar, que não chegaram sequer a ter o Conselho Geral e a Comissão Executiva devidamente constituídos.

Em 1996, por iniciativa do Presidente do Instituto da Vinha e do Vinho são reabertas as conversações e negociações entre os representantes das diversas Regiões do Ribatejo, é criado um Grupo de Trabalho, tendo em vista a criação da CVRR, a qual, apesar de alguns acidentes de percurso e de vicissitudes próprias de um processo com estas características, foi formalmente constituída em 17 de Setembro de 1997, data em que é celebrada a escritura de constituição, em cerimónia realizada no CNEMA em Santarém, com a presença do Ministro da Agricultura, do Secretário de Estado da Produção Agro Alimentar e do Presidente do IVV.

 

 

O PRESENTE

O Visconde de Villa-Maior, no seu Manual de Viticultura Prática, de 1875 refere os vinhos do Cartaxo, Santarém e em geral sobre "...todos os terrenos ocupados pela vinha ao longo da bacia do Tejo..." Na nossa região eram referenciados vinhos das localidades e, em termos gerais, os vinhos da "Bacia do Tejo". Mais tarde, em 1900, Cincinnato da Costa, no seu célebre "O Portugal Vinícola", separa uma grande região a que chama "Bacia e Litoral do Tejo", referindo no texto mais tarde "...castas referidas nesta região do Tejo...". Também Pedro Bravo e Duarte de Oliveira, no seu "Vinificação moderna" de 1925 (3ª edição), ao tentar classificar o país em regiões referem "ainda não existe, em virtude da difficuldade de se fazer um trabalho perfeito sobre o assumpto, uma classificação regular, das regiões vinícolas do país...", referindo que "...o trabalho existente mais completo e mais aproximado da verdade, é o mapa vinícola de Portugal que o distinto catedrático do ISA, Cincinato da Costa, organizou...." Onde a nossa região é denominada "Bacia e Litoral do Tejo" e onde existiam as regiões do Douro, Bairrada, Dão, Beiras, Extremadura, Alentejo e Algarve, entre outras.

 

Dado que o nome TEJO acompanha a designação dos nossos vinhos pelo menos desde o séc. XIX, dado que o rio Tejo é o grande símbolo da nossa região e também o principal rio da Península Ibérica, dado que os nomes de muitas das grandes regiões estão ligadas a rios (Douro, Dão, Ribera del Duero, Rheno, Loire, Napa...), considerando-se que a designação "TEJO" tem bastante maior reconhecimento como marca que as designações "Ribatejo" ou "Ribatejano", conforme observado em estudo mandado fazer pela CVRR, sendo mais curto, de mais fácil reconhecimento é mais favorável para promoção interna e externa, além de ser mais fácil de pronunciar lá fora do que os nomes "Ribatejo" ou "Ribatejano", e, ainda, uma alteração de nome facilita o reconhecimento por parte dos consumidores do grande dinamismo e grande melhoria qualitativa que os vinhos têm vindo a mostrar.

Por tudo isto, decidiu o Conselho Geral da CVR do Tejo, adoptar as designações "IG TEJO" e "DOCdoTEJO" como símbolo do garante qualitativo dos vinhos produzidos na nossa região.

 

Conclui-se assim que, a mudança do nome "Ribatejo" para "TEJO", é compreensível face ao escasso valor económico do nome antecedente, mas também face a uma mudança radical do padrão de actuação da região por iniciativa de quem a dirige.Tem sido notável o esforço e dedicação que tem sido levado a cabo por parte da actual Direcção na dinamização e renovação do espírito da região. De salientar também o trabalho persistente e exaustivo da promoção da CVRT e dos Produtores dentro e fora de fronteiras, criando um espírito de grupo bem visível nas acções em que a CVR participa.
Normal 0 false 21 false false false PT X-NONE X-NONE